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Explicar o Glaucoma

2021-03-16

O Glaucoma é uma doença que afeta um número significativo de pessoas, geralmente idosas. A doença também pode aparecer à nascença (Glaucoma congénito), mas esta situação é muito rara. Geralmente terá o seu início por volta dos 40/50 anos embora o diagnóstico seja geralmente tardio porque a doença é “silenciosa” e lenta na evolução  – o Glaucoma Crónico de Ângulo Aberto é a forma mais comum deglaucoma.
Existe também o glaucoma de ângulo fechado, mas que ocorre muito raramente embora seja uma situação de emergência.
No nosso país também é frequente o glaucoma por pseudoexfoliação que é de ângulo aberto e tem implicações negativas no aparecimento e tratamento das
cataratas.

Sintomas

Tanto a câmara anterior e posterior, que são pequenos espaços dentro do olho, estão cheias de um líquido fino. Normalmente, o líquido é produzido na câmara posterior,
passa pela pupila para a câmara anterior e depois sai do olho através de uns canais específicos (canais de saída/ de Schlemm). Se a corrente de fluido for interrompida,
geralmente devido a uma obstrução que evita que o fluido saia da câmara anterior, a pressão aumenta.
No glaucoma de ângulo fechado, o espaço entre a córnea e a íris é mais estreito do que o normal. Qualquer fator que provoque a dilatação da pupila pode fazer com que a íris bloqueie a drenagem do fluido. Quando tal acontece, a pressão intraocular aumenta de repente, provocando sintomas súbitos.
No glaucoma de ângulo aberto, no inicio, a pressão ocular aumentada não provoca nenhum sintoma. Os sintomas posteriores podem incluir uma redução da visão periférica,
ligeiras dores de cabeça e subtis perturbações visuais, como ver halos à volta da luz eléctrica ou ter dificuldade para se adaptar à escuridão.
O glaucoma começa por provocar a perda da visão periférica ou pontos cegos no campo visual. A pessoa pode acabar por apresentar visão em túnel e eventualmente
cegar por completo.

Diagnóstico
Hoje em dia, o exame mais importante é aquele que avalia o disco ótico, isto é, o local onde se situa o nervo que leva informação do olho para o cérebo. É a lesão deste nervo que faz perder visão no glaucoma. O disco ótico pode ser avaliado com o microscópio especial de consulta e depois exames como a tomografia ótica coerente (OCT) ajudam a quantificar o problema. Para além do nervo ótico deve-se avaliar a pressão intraocular (PIO). Normalmente, as medições que ultrapassam os 20 mmHg a 22 mmHg, indicam uma pressão elevada.
Em alguns casos, o glaucoma surge mesmo quando as pressões são normais. O glaucoma de ângulo aberto, ou por pseudoexfoliação, pode não produzir qualquer sintoma enquanto não for provocada uma lesão irreversível. Por isso, qualquer exame ocular de rotina, acima dos 40 anos, deverá incluir uma medição da pressão intraocular e
a visualização do nervo ótico.

Tratamento
O tratamento tem mais probabilidades de ter sucesso quanto mais cedo for iniciado. Quando a visão já tiver diminuído muito, o tratamento também pode evitar mais deteriorações, mas não consegue restabelecer a visão que se perdeu. As gotas para os olhos, segundo prescrição médica, podem em geral controlar o glaucoma de ângulo aberto. Em alternativa podemos utilizar um tratamento por laser (SLT) que poderá resolver o problema de forma simples e sem complicações podendo ser feito no momento da consulta sem quaisquer restrições após ser efetuado. Caso o glaucoma não possa ser controlado com gotas ou laser deverá pensar-se em cirurgia.
É importante ter em atenção que tudo que se perde não se recupera e é assim essencial que se inicie atempadamente o tratamento.

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA LIONS PORTUGAL FEVEREIRO 2021

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