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A ADSE não vai acabar

2019-02-21

Perante as constantes notícias que indecisões face ao futuro da ADSE, o Dr. Miguel Sousa Neves, também Presidente da Direção da Competência em Gestão da Ordem dos Médicos e da Direção da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde, deixou a sua opinião e conhecimentos sobre o assunto.

1. A ADSE não vai acabar. Ele próprio e centenas de outros prestadores do setor privado e social têm acordo de prestação de serviços com a ADSE e irão continuar sem quaisquer reservas.

2. Há, no entanto, um diferendo com algumas empresas privadas de maior dimensão e que se resumirá ao seguinte:

    - a ADSE pediu a alguns prestadores privados e também do setor social para "repôr" valores que teriam ultrapassado aquilo que está estabelecido em legislação mas ainda não tinha sido cumprido. De uma forma simples , se o fornecedor de serviços da ADSE ultrapassou a média de faturação normal à ADSE ele terá que devolver dinheiro a esta entidade. Isto está em lei mas o problema é que nunca foi aplicada e agora aparece uma conta elevada de gastos do passado que as entidades não querem pagar;

    - a ADSE tem uma tabela já desadequada de atos e procedimentos médicos pelo que será necessário atualizar a tabela e preços. Isto é uma verdade de muitos anos mas como não havia grande fiscalização, o que se perdia por um lado muitas vezes ia-se ganhar por outro. A ADSE está a atualizar as tabelas tentando encontrar modelos de preço fechado para as cirurgias, isto é, cada cirurgia vale X euros e assim com um preço fixo não haverá a necessidade de ajustamentos retroativos que são extremamente inconvenientes para quem prepara orçamentos e paga custos no imediato. Com isto corrigido, a ADSE poderá em breve conversar com todos os prestadores simplificando as prestações de modo a que todos saibam os custos e os ganhos;

    - a ADSE tem pago com algum atraso porque também lhes é difícil faturar na hora pelo que com uma nova tabela e preços fechados, a mesma poderá pagar em tempo certo aos prestadores.

3. A ADSE é um elemento muito importante para as entidades que têm acordos com este sub-sistema e ninguém de ânimo leve desiste de um acordo que ajuda a manter a sua sobrevivência e lucros. Agora é óbvio que poderão haver desacordos em valores numa tabela futura e isso poderá ajudar a manter este clima de "guerrilha" por parte dos grandes operadores privados pois os pequenos e o setor social não aparentam ter problemas com este seguro público de Saúde. 

4. Para quem é beneficiário da ADSE deve manter este seguro porque é o melhor possível pois não tem limites de gastos e o paciente pode escolher onde ir. Se alguém precisa de 3 cirurgias num ano e tem um seguro privado de saúde, é certo que no ano seguinte irá pagar ao seguro mensalidades muito maiores. Na ADSE o paciente pode ir aos médicos  as vezes que considerar necessárias e fazer as cirurgias que precisa que continuará a pagar exatamente o mesmo nos anos seguintes.

Por último, lembra o oftalmologista e Mestre em Gestão de Saúde que o facto de este assunto ocupar páginas de jornais, TV e ser um assunto de discussão e ameaças é porque é um negócio de muito interesse para quem presta serviços à ADSE. Se não fosse assim, ninguém falaria no assunto.

Resumindo, a ADSE não vai acabar mas estará numa fase de remodelação da logística  e de reforma estrutural que obrigará necessariamente a mudanças de atitudes e de comportamento no futuro por parte de todos os envolvidos. E enquanto essas regras não forem clarificadas haverá posições extremadas com o objetivo de se poder alcançar ,de ambas as partes , o melhor acordo possível.

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