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A propósito do Dia Mundial da Visão

2018-10-11

A palavra em si vem do latim “visio” e aponta para o sentido que deteta e interpreta a luz. No ser humano é um sistema complexo que permite visualizar os objetos e vai do olho até ao centro da visão que se localiza no cérebro na sua porção posterior num local muito específico. As próprias fibras que captam as imagens e formam um cabo que atravessa literalmente o cérebro com alterações sensíveis no seu trajeto são células altamente diferenciadas. Com a sua ligação ao cérebro é compreensível que os olhos não só permitam “ver” mas expressam também emoções: “os olhos são o espelho da alma”.

Para a grande maioria das pessoas que habitam o nosso planeta as principais disfunções da visão têm a ver com infeções oculares secundárias, condições muito más de vida, como também problemas como o envelhecimento do cristalino que provoca cataratas para as quais a maioria da população do Mundo não consegue ter acesso a tratamento atempado e adequado.

Neste Dia Mundial de Visão cumpre-me enaltecer o papel absolutamente fantástico que as organizações de solidariedade social, com destaque primordial para o Lions Club International, têm assumido na luta contra a cegueira evitável, isto é, aquelas doenças que num mundo mais desenvolvido não chegam a ser problema ou, caso o sejam, tenham solução fácil e de elevada qualidade.

Em Portugal a maioria dos casos em que a visão diminui de tal forma que impede que as pessoas assumam uma vida normal têm a ver com a Degenerescência Macular relacionada com a Idade (DMI), glaucoma e ainda a diabetes ocular.

No caso da DMI há hoje em dia tratamento para alguns casos mais complexos para se tentar impedir que a pessoa perca a sua autonomia por perda de visão. Como o nome indica, ela surge com o evoluir da idade e a sua incidência e prevalência irá ser cada vez maior (Em países como Moçambique em que a esperança média de vida é menor que 55 anos esta doença afetará uma minoria da população). Nestes casos e se a pessoa sente subitamente uma alteração da forma como perceciona as coisas, geralmente de um olho, deve consultar de imediato o oftalmologista pois poderá ser um caso de DMI dita popularmente húmida para a qual há tratamento adequado na forma de injeções intraoculares.

No que respeita ao glaucoma, nós assumimos que o termo envolve várias doenças que podem resultar num desgaste progressivo das fibras que ligam o olho ao cérebro levando algumas vezes à cegueira absoluta e irreversível. O glaucoma pode existir à nascença (congénito) necessitando de imediato tratamento cirúrgico mas este tipo é muito raro. Na forma mais comum – glaucoma crónico de ângulo aberto – há uma certa incidência familiar e é uma doença que geralmente aparece depois dos 40 anos.

Na nossa clínica qualquer paciente com mais de 40 anos é submetido a um despiste de glaucoma mesmo que venha por outros motivos. É uma doença dita silenciosa pois nos primeiros tempos não dá quaisquer sinais e sendo progressiva de forma irreversível, tudo o que se vier a perder não será recuperado. O objetivo é “apanhar” a doença no seu início pois que, na maioria dos casos, se tratada precocemente com medicação (no início serão gotas diárias) a mesma poderá ser controlada com a manutenção de uma boa função visual.

A retinopatia diabética (forma da doença Diabetes nos olhos) também pode ser tratada eficazmente se for detetada atempadamente. Os tratamentos poderão ser com laser ou/e com injeções intraoculares. A mensagem aqui para todos os diabéticos é que não se esqueçam de ver o oftalmologista mal saibam que têm a doença e depois deverão ser seguidos regularmente.

Para além disso convém referir que as crianças devem ter rastreios de visão muito cedo, entre os 2 e 4 anos de idade, se não aparentarem qualquer alteração ocular. Para isso é essencial que o exame seja feito por oftalmologista experiente, se possível acompanhado de um exame por técnica de ortóptica e com uma imagem tirada por um aparelho especial e sensível denominado “plusoptix”. Pretende-se aqui evitar ambliopias, isto é, olhos que fiquem com uma visão relativamente baixa (geralmente uniocular) por falta de tratamento na fase crítica evolutiva da visão antes de entrarem para o 1º ano de escolaridade.

As cataratas continuam a ser a causa mais frequente de baixa visão nos mais velhos mas a mesma tem tratamento muito eficaz se em boas mãos. A catarata é no fundo uma peça do olho (cristalino) envelhecida que vai lentamente embaciando e a cirurgia consiste na sua substituição por uma lente de focagem numa cirurgia que demora cerca de 10 minutos e é feita com anestesia local com o paciente a ir para casa de imediato e no dia seguinte a retomar a sua vida quase normal.

Por fim, um conselho prático:

- se antes dos 40 anos se notar alguma perturbação na visão ou se achar que algo não parece bem, a consulta por oftalmologista é essencial;

- depois dos 40 anos e na fase em que a maioria da população começa naturalmente a ter problemas com a visão de leitura, é um bom momento para um exame geral à função visual para se verificar se há indícios de qualquer doença. Tal como me dizia um paciente mecânico que veio há dias à minha consulta “se os carros têm que ir à revisão e quanto mais velhos ficam mais problemas terão, então nós também não seremos muito diferentes”…

 

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